“Seja uma vadia ou adquira um autoimune.”
A legenda circula nas redes sociais com a força da verdade do evangelho. Implica uma escolha binária: o auto-sacrifício leva à doença, a assertividade leva à saúde. O engenheiro industrial Ronak Pakzad escreveu no X, declarando que agradar às pessoas é a causa número um de problemas autoimunes em mulheres. A comediante Pearl Rose apoiou isso, alegando que seu eczema desapareceu no momento em que ela começou a ser má.
É verdade?
Bem.
É complicado. E um pouco assustador se você interpretar literalmente.
A Teoria do “Body Keeps Score”
A tendência não surgiu do nada. Ele explora uma raiva específica e persistente. As mulheres são ensinadas a serem legais. Quieto. Acomodando. As meninas brincam com bonecas. Os meninos lutam. Na idade adulta, essa ligação não se transformou apenas em polidez. Está consolidado no hábito de silenciar nossas próprias necessidades para manter os outros confortáveis.
Rachel Gabelman, psicóloga clínica em Columbus, explica isso claramente. A sociedade ensina as mulheres a buscar aprovação. Para evitar balançar o barco. Engolir nossos desejos para que ninguém se ofenda.
Essa supressão constante? É estresse.
“O corpo registra a pontuação”, diz o Dr. Brinen. Cada vez que você diz “sim” quando quer dizer “não”, seu sistema nervoso registra um golpe. O estresse crônico aumenta. Ele se acumula na lombada. Isso inflama o sistema. A lógica nas redes sociais sugere que se pararmos de fazer isso – se começarmos a agir de forma “malvada” segundo os padrões tradicionais – a inflamação diminui. A doença vai embora.
As pessoas estão citando estudos como a pesquisa de 2021 com 290 mulheres que mediu o “autosilenciamento”. Taxas mais altas de silêncio correlacionaram-se com piores marcadores de saúde. A correlação parece causalidade à distância.
Mas olhando de perto? A visão muda.
A ciência não faz binários
Os médicos estão revirando os olhos. Ou pelo menos balançando a cabeça.
Stanley A. Schwartz, chefe de imunologia em Buffalo, salienta que o stress afecta o sistema imunitário. Nós sabíamos disso. Mas dizer que agradar às pessoas causa doenças auto-imunes? Isso é um grande salto. Ignora a genética. Toxinas ambientais. Erros celulares aleatórios. Fatores desconhecidos.
Os distúrbios autoimunes não são punições por má atitude. São bilhetes de loteria biológica e ainda não descobrimos quem os ganha.
Dr. Gabelman adverte que esta tendência traz algo perigoso. Culpa as mulheres. Se a sua doença resulta de ser “muito gentil”, então você é responsável por resolvê-la sendo “menos gentil”. Você é responsável pelo seu sofrimento.
Absolutamente não.
Brinen adiciona outra camada. Chamar a assertividade de “ser vadia” reforça velhos estereótipos. Por que usar um insulto para defender a saúde mental? Isso perpetua a ideia de que as mulheres não podem ser fortes sem serem más. São táticas assustadoras. Não precisamos ameaçar as mulheres com artrite reumatóide para lhes dizer que estabeleçam limites.
O que é perdido (e o que não é)
A internet odeia nuances. Nuance é difícil de retuitar. Mas a tendência não está errada em tudo.
O auto-sacrifício excessivo arruína você.
Se você der a todos seu tempo, energia e paz, ignorando suas próprias necessidades básicas, o ressentimento aumentará. O ressentimento é pesado. Isso prejudica a saúde mental. A saúde mental se transforma em saúde física. Brinen diz que esse link é real.
Reflita. Você fica com raiva depois de ajudar? Você se sente vazio depois de se acomodar? Então mude. Seja assertivo. Diga “não”. Defina seus limites.
Isso não é “ser uma vadia”.
Isso é autopreservação básica.
O resultado final? Você não pode controlar a genética. Você não pode prever quem desenvolverá lúpus ou doença de Crohn. Você pode ser perfeito, gentil e ainda assim ficar doente. Você pode ser um tirano e permanecer saudável. A ligação entre estresse e doença existe, mas não é um simples botão liga/desliga controlado pela sua atitude em relação aos outros.
Ainda. Os limites são bons. E às vezes, a coisa mais rebelde que uma mulher pode fazer é proteger a sua própria energia.
