Sir Charles Bell e a descoberta dos nervos motores

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Sir Charles Bell foi um anatomista escocês que mudou fundamentalmente a forma como entendemos o sistema nervoso. Nascido em Edimburgo em novembro de 1774, ele morreu em North Hallow, Worcestershire, em 28 de abril de 1842. Seu trabalho lhe rendeu o título de cavaleiro em 1831 e uma medalha da Royal Society no ano anterior. Mas o seu legado assenta numa descoberta biológica específica: a separação das funções motoras e sensoriais no corpo humano.

A Carta Magna da Neurologia

Em 1811, Bell publicou Nova Idéia de Anatomia do Cérebro. Mais tarde, críticos e historiadores chamaram esse trabalho de “Carta Magna da neurologia”. Não era apenas um livro didático. Foi uma mudança de pensamento. Bell afastou-se de teorias vagas sobre “espíritos animais” e aproximou-se de evidências anatômicas concretas.

Ele estudou na Universidade de Edimburgo antes de se mudar para Londres em 1804. Lá, assumiu funções cirúrgicas e docentes. A mudança o colocou no centro da inovação médica. No entanto, foram suas pesquisas posteriores que solidificaram sua fama.

Como Bell distingue as funções nervosas

Antes de Bell, os nervos eram frequentemente vistos como um cabo único e monolítico. A sabedoria predominante não conseguia separar claramente os caminhos do sentimento daqueles do movimento. Bell desafiou isso.

Na sua expansão de 1830, O Sistema Nervoso do Corpo Humano, ele propôs uma distinção crítica. Ele argumentou que o sistema nervoso tem dois tipos distintos de nervos:
* Nervos sensoriais: Conduzem impulsos para o sistema nervoso central. Eles transportam informações do corpo para o cérebro.
* Nervos motores: transmitem impulsos do cérebro ou de outros centros nervosos para órgãos periféricos. Eles comandam os músculos para agir.

Isto não era apenas teoria. Bell olhou para a medula espinhal. Ele observou que as raízes anteriores (dianteiras) dos nervos espinhais tinham função motora. As raízes posteriores (posteriores) eram sensoriais.

A Confirmação Magendie

A observação de Bell foi ousada. Também foi controverso. Ele anunciou que as raízes anteriores controlavam o movimento. As raízes posteriores controlavam a sensação.

François Magendie confirmou isto experimentalmente 11 anos depois, em 1822. O trabalho de Magendie elaborou as descobertas iniciais de Bell. Juntos, o trabalho deles lançou as bases para a neurociência moderna. Esclareceu por que sentimos dor e como reagimos a ela.

Por que isso é importante hoje

Damos como certa a complexidade dos nossos próprios corpos. Movemos um dedo. Sentimos o calor de uma xícara. Geralmente não pensamos nos caminhos separados envolvidos. A distinção de Bell explica essa separação.

Ele retornou a Edimburgo em 1836 para aceitar a cátedra de cirurgia. Naquela época, suas ideias estavam remodelando a educação médica. A separação dos nervos sensoriais e motores não é mais uma ideia radical. É anatomia básica.

No entanto, a elegância dessa visão de 1811 permanece. Isso eliminou o misticismo da neurologia inicial. Isso nos deixou com um mapa mais claro. Um mapa que ainda usamos hoje.

O que acontece quando esse mapa está incompleto? Vemos sintomas que desafiam uma explicação fácil. Bell nos deu as ferramentas para ler o mapa. O restante fica por conta da observação clínica.