A menopausa é real: por que as mulheres são dispensadas pelo sistema médico

13

Para milhões de mulheres, a transição através da perimenopausa e da menopausa não é apenas uma mudança biológica; muitas vezes é uma batalha contra o ceticismo médico e a rejeição total. Embora a conversa em torno das alterações hormonais esteja a crescer, muitos prestadores de cuidados de saúde ainda não conseguem reconhecer ou abordar as graves consequências para a saúde física e mental. Isto não é simplesmente uma questão de desconforto; é uma falha sistêmica que faz com que as mulheres se sintam ignoradas e abandonadas.

A realidade do declínio hormonal

A menopausa, definida como 12 meses consecutivos sem menstruação, afeta todas as mulheres menstruadas. É impulsionado pelo declínio natural do estrogênio, não uma doença. No entanto, muitos médicos tratam isso como se fosse imaginário ou algo com o qual as mulheres deveriam simplesmente “lidar”. Os sintomas são de longo alcance: ondas de calor, distúrbios do sono, perda de cabelo, problemas digestivos e comprometimento cognitivo significativo (névoa cerebral) são comuns.

O problema não é apenas que os sintomas existem, mas que muitas vezes são atribuídos erroneamente ao estresse, à ansiedade ou mesmo à hipocondria. Essa iluminação a gás deixa as mulheres questionando sua própria sanidade. Uma mulher, Vanessa McGrady, lembra-se de ter sido friamente rejeitada pelo seu médico depois de detalhar os seus sintomas, apenas para ser orientada a experimentar remédios à base de ervas, apesar de pesquisas mostrarem que a terapia hormonal proporciona um alívio real.

Por que a comunidade médica falha com as mulheres

A raiz do problema é a falta de educação e o preconceito sistêmico. Uma pesquisa de 2019 descobriu que apenas 7% dos novos médicos em medicina familiar e ginecologia se sentiam totalmente preparados para lidar com a menopausa. Vinte por cento admitiram não ter recebido formação formal sobre o assunto.

Isso se traduz em danos reais. Mulheres que sofrem de depressão, ansiedade ou confusão mental durante a menopausa são frequentemente rotuladas como simplesmente “estressadas” em vez de serem avaliadas quanto a desequilíbrios hormonais. O sistema médico ignora a ligação clara entre as flutuações hormonais e a saúde mental, embora os estudos confirmem essas ligações.

A ciência é clara

O impacto das alterações hormonais no bem-estar mental está cientificamente estabelecido. As flutuações do estrogênio podem perturbar neurotransmissores como a serotonina e o GABA, aumentando o risco de ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas.

A névoa cerebral, caracterizada por comprometimento da memória de trabalho e da função cognitiva, também é um sintoma bem documentado. Um estudo de 2023 na Maturitas mostrou que mulheres na perimenopausa ou menopausa cirúrgica relataram déficits significativos nas funções executivas em comparação com mulheres na pré-menopausa. Não se trata apenas de sentir-se cansado; é um declínio cognitivo mensurável.

O que as mulheres estão fazendo a respeito

Confrontadas com a indiferença médica, muitas mulheres recorrem à auto-representação e ao apoio dos pares. Amanda Thebe, uma preparadora física, iniciou o grupo no Facebook “Menopausing So Hard” (agora com mais de 25.000 membros) depois que seus próprios sintomas foram ignorados pelos médicos. O grupo oferece um espaço para as mulheres compartilharem experiências e encontrarem validação quando o sistema médico falha.

Existem tratamentos, mas o acesso é desigual

Estão disponíveis tratamentos eficazes, incluindo terapia hormonal (TRH), antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental. A Sociedade Norte-Americana de Menopausa recomenda TRH para mulheres elegíveis, mas o acesso permanece desigual. Alguns medicamentos, como o fezolinetante (Veozah), vêm com advertências da FDA sobre possíveis lesões hepáticas, complicando ainda mais as decisões de tratamento.

O resultado final

A menopausa é um processo biológico natural com profundas implicações para a saúde física e mental. As mulheres merecem ser levadas a sério pelos profissionais de saúde. O sistema atual muitas vezes falha com eles, fazendo com que se sintam rejeitados, isolados e sofrendo desnecessariamente. É hora de a educação médica acompanhar a realidade das alterações hormonais e de os médicos priorizarem a saúde das mulheres durante esta fase crítica da vida.